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Possível classificação do CV e do PCC como organizações terroristas gera discussão; Deputado Pedro Campos fala sobre o assunto

 Possível classificação do CV e do PCC como organizações terroristas gera discussão; Deputado Pedro Campos fala sobre o assunto
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Os Estados Unidos devem classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras nos próximos dias. A informação foi divulgada no último domingo (8) pela colunista do UOL Mariana Sanches.

Diante do avanço da pauta pelo governo norte-americano, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone ainda no domingo com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na tentativa de impedir essa designação.
Em meio ao cenário, o doutor em ciência política Thales Castro explica que classificar o CV e o PCC como terroristas mudaria a forma como esses grupos são tratados.
“Quando os Estados Unidos classificam algum grupo como terrorista, essa entidade automaticamente tem uma um tratamento diferenciado em termos de bloqueio de contas, congelamento de ativos, de ações jurídicas e também de investigação. É como se essa classificação buscasse isolá-la do processo de transações bancárias internacionais. Mas isso também autoriza juridicamente os Estados Unidos a terem posturas mais incisivas”, explica.

E é justamente essa postura mais agressiva que preocupa o cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Elton Gomes. Segundo ele, a designação dessas facções como terroristas pode abrir precedente para os Estados Unidos atacarem o país sem aviso prévio e gerar uma crise diplomática entre as nações.
“Ao decretar esses grupos criminosos como terroristas, os Estados Unidos coloca eles no mesmo hall do Hamas, Hizbullah e do Houthis. Uma vez declarados como FTOs (sigla de organizações terroristas estrangeiras, em inglês), eles poderão ser atacados militarmente pelos Estados Unidos, sem que haja necessidade de comunicar ou de alinhar isso com o governo brasileiro, o que deflagraria uma crise sem precedente na história das relações bilaterais entre os dois países, que seria comparável a um ato de guerra”, alerta.
Apesar do receio, Castro aponta que existe a possibilidade da classificação representar uma força no combate ao crime organizado. “Se há um aspecto positivo, eu acho que é colocar cada vez mais, o cenário internacional para combater esses ilícitos, colocar todo o toda a comunidade internacional de prontidão para debelar esse tipo de força perniciosa”, afirma.
Já Gomes reforça o diálogo entre os dois países sobre o que pode ou não ser realizado, mas afirma que ainda é difícil estimar projeções. “Se isso vai produzir negociações que produzam algum termo de ajustamento para que os dois países cheguem a um consenso a respeito do que vai ser feito, nós precisamos acompanhar a marcha dos acontecimentos. Isso é um processo em curso, os resultados ainda são desconhecidos”, explica.

Acompanhe a explicação do Deputado Pedro Campos (PSB/PE), sobre o tema.

Fonte: Folha de Pernambuco

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