Eleições 2026 reacendem debate sobre a representação do Araripe na Câmara Federal
- 8 de janeiro de 2026
Falando ainda sobre as eleições de 2026, o Jornal da Grande amplia o foco e direciona o olhar para a disputa por vagas na Câmara dos Deputados, abrindo um debate que o Araripe precisa enfrentar com maturidade e visão de futuro.
A região do Araripe, formada por dez municípios — Araripina, Bodocó, Exu, Granito, Ipubi, Moreilândia, Ouricuri, Trindade, Santa Cruz e Santa Filomena — concentra aproximadamente 252 mil eleitores. Trata-se de um colégio eleitoral expressivo, capaz, em tese, de eleger até três deputados federais. Mesmo assim, ao longo das últimas eleições, o Araripe segue sem uma representação própria, contínua e enraizada no Congresso Nacional.
Historicamente, o cenário se repete: candidatos de outras regiões conseguem boa votação no Sertão do Araripe, conquistam mandatos e, após o pleito, mantêm uma presença distante da realidade local. Embora alguns reconheçam a importância desse eleitorado e destinem ações e recursos para a região, a ausência de um representante genuinamente araripeano em Brasília ainda é sentida, sobretudo quando se trata da defesa permanente dos interesses locais.
Tentativas não faltaram ao longo dos anos. Nomes como o saudoso Valdeir Batista, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Araripina, chegaram a disputar com força e articulação, mas não alcançaram a vitória. Nunes Rafael também esteve presente em diversas disputas, obtendo votações expressivas em seu município, sem sucesso final. Outros líderes, como Valmir Simeão, igualmente se colocaram à disposição. Em muitos casos, pesou a fragmentação do voto regional e a ausência de um projeto coletivo mais sólido.
Para 2026, o roteiro volta a ganhar novos capítulos. Diversos candidatos de fora da região devem, mais uma vez, buscar espaço entre o eleitorado araripeano. Em Araripina, já circulam nos bastidores alguns nomes ligados a diferentes grupos políticos. Pelo campo do prefeito Evilásio Mateus, aparecem Fernando Filho, apoiado diretamente pelo gestor e seus aliados, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, além de um nome vinculado à deputada estadual Roberta Arraes, possivelmente Lula da Fonte, já que Eduardo da Fonte deve disputar o Senado.
O presidente estadual do PT, Carlos Veras, também tende a manter uma votação significativa na região, especialmente entre sindicalistas e eleitores historicamente alinhados ao partido. No grupo político liderado por Raimundo Pimentel, permanece a expectativa sobre qual será o caminho adotado: se haverá candidatura própria à Câmara Federal, possivelmente com Socorro Pimentel, ou se o grupo optará por apoiar outro nome.
Outros atores começam a surgir nesse cenário, a exemplo de Clodoaldo Magalhães, que pode contar com o apoio de vereadores de oposição em Araripina, como Luciano Belo e Naicon Arruda. Soma-se a isso a presença constante de deputados federais que tradicionalmente recebem votos de segmentos religiosos, especialmente do eleitorado evangélico, tanto em Araripina quanto em outros municípios do Araripe.
Cada cidade, com suas lideranças e acordos políticos específicos, acaba contribuindo para que os votos da região se pulverizem entre diversos candidatos, muitos deles com base eleitoral em outras partes do estado. Esse fator tem sido determinante para a dificuldade histórica de consolidar uma candidatura regional forte.
Ainda assim, o Araripe chega a 2026 com um nome da própria região que desperta atenção: Eliane Soares, ex-prefeita de Santa Cruz por quatro mandatos. Com trajetória política consolidada, experiência administrativa e base eleitoral consistente, ela surge como uma possível alternativa capaz de unir forças regionais e, com o apoio do eleitorado local somado a outras bases, quebrar um tabu histórico e conquistar uma cadeira na Câmara Federal.
O debate está posto. O Araripe precisa refletir sobre seu papel no cenário político estadual e nacional e sobre a importância de transformar seu peso eleitoral em representação efetiva. O Jornal da Grande convida a população a participar dessa discussão, compartilhar opiniões e contribuir para o fortalecimento de um diálogo que pode definir os rumos políticos da região nos próximos anos.
