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Denúncia de uso político da Polícia Civil de Pernambuco gera reação do SINPOL e mobilização da categoria

 Denúncia de uso político da Polícia Civil de Pernambuco gera reação do SINPOL e mobilização da categoria
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A reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, no último domingo (25), colocou no centro do debate nacional uma denúncia grave: a suposta instrumentalização política da Polícia Civil de Pernambuco para perseguição de adversários do governo estadual. A revelação provocou reação imediata do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (SINPOL-PE), que divulgou nota pública repudiando o que classifica como desvio de finalidade da atividade policial e ataque direto ao Estado Democrático de Direito.

De acordo com o SINPOL, a matéria jornalística evidenciou o uso da estrutura da Polícia Civil para fins políticos e eleitorais, comprometendo a credibilidade das investigações e a autonomia da instituição. Para o sindicato, o episódio não é isolado, mas parte de um padrão de assédio institucional enfrentado por policiais civis que se recusam a atender interesses políticos do atual governo.

Segundo a entidade, esse assédio se manifesta por meio de ameaças de abertura de Processos Administrativos Disciplinares (PADs), ações da Corregedoria, remoções e transferências arbitrárias. A situação, somada ao achatamento salarial, tem provocado adoecimento físico e mental da categoria. Atualmente, conforme denuncia o sindicato, os policiais civis de Pernambuco recebem os piores salários do país e atuam em condições consideradas degradantes, com delegacias funcionando em imóveis improvisados e despesas básicas sendo custeadas pelos próprios servidores.

O presidente do SINPOL, Áureo Cisneiros, também é citado como alvo direto de perseguição. Após denunciar a precariedade das delegacias, as más condições de trabalho e a falta de investimentos efetivos do programa estadual Juntos pela Segurança, o dirigente sindical teria sofrido a instauração de PADs e ações da Corregedoria, numa tentativa de silenciar a atuação sindical e inibir a defesa dos direitos da categoria.

Outro ponto considerado alarmante pelo sindicato é a denúncia, feita em novembro de 2025, sobre a instalação e o uso de câmeras com supostas escutas clandestinas dentro de delegacias. Segundo o SINPOL, os equipamentos não teriam autorização judicial e violariam direitos fundamentais, além de comprometer investigações e transformar delegacias em espaços de vigilância política sobre policiais, advogados e cidadãos. Até o momento, o governo estadual não teria esclarecido quem tem acesso às imagens e aos áudios gravados.

A nota também critica a omissão do Governo de Pernambuco quanto à aprovação da Lei Orgânica da Polícia Civil no âmbito estadual. Embora a Lei Orgânica Nacional da Polícia Civil tenha sido aprovada há mais de dois anos, cabe aos estados regulamentarem a legislação local. Segundo o SINPOL, mesmo após receber uma proposta de minuta elaborada de forma democrática, com participação da categoria, a governadora Raquel Lyra ainda não enviou o projeto à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Para o sindicato, a lei é fundamental para impedir o uso político da instituição, garantir direitos aos policiais e assegurar uma corregedoria independente, voltada à legalidade e não a interesses governamentais.

Diante do cenário, o SINPOL anunciou uma grande mobilização da categoria. Na próxima terça-feira (27), às 15h, policiais civis realizarão uma passeata com concentração na sede do sindicato e encerramento no Palácio do Campo das Princesas. A expectativa é de que a governadora receba os representantes da categoria e abra um canal de diálogo institucional.

Entre as principais pautas do movimento estão a extensão do reajuste de 33% da carga horária para todos os policiais civis, ativos e aposentados; o envio imediato do Projeto de Lei Orgânica da Polícia Civil à Alepe; e a efetiva aplicação dos investimentos prometidos pelo programa Juntos pela Segurança, que, segundo o sindicato, ainda não chegaram à Polícia Civil, mesmo no último ano do atual governo.

O caso amplia o debate sobre autonomia policial, garantias institucionais e os limites da atuação do poder político sobre as forças de segurança, temas que agora ganham repercussão estadual e nacional.

E para aprofundar esse debate e ouvir o posicionamento da categoria, o Jornal da Grande, da Rádio Grande Serra FM de Araripina – 98.1, traz uma entrevista exclusiva com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (SINPOL-PE), Áureo Cisneiros.
A conversa foi concedida à repórter Iza Eduarda e aborda as denúncias de instrumentalização política da Polícia Civil, a perseguição institucional contra policiais e as reivindicações urgentes da categoria.

Imagem: Jornal da Grande

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