O diretor-presidente da companhia, Douglas Nóbrega, visitou a Folha de Pernambuco nesta quinta-feira (29) e apresentou as principais mudanças previstas para a operação e para o atendimento aos consumidores.
O dirigente foi recebido pela vice-presidente da Folha, Mariana Costa; pelo diretor-executivo, Paulo Pugliesi; pelo diretor operacional José Américo Lopes Góis, pela gerente da Rádio Folha FM 96,7 Marise Rodrigues; e pela gerente de mercado, Tânia Campos.
A operação estava prevista inicialmente para 26 de outubro, mas foi adiada para 23 de novembro. Segundo Nóbrega, a prorrogação ocorreu por prudência técnica, diante da necessidade de concluir integrações operacionais e comerciais. Até 22 de novembro, a Compesa continuará responsável pelos serviços. Durante esse período, as concessionárias participam de uma operação assistida, com testes e atividades de transição.
A concessão é parcial e mantém a Compesa como empresa pública, responsável pela captação, pelo tratamento e pela produção de água em grande escala. As concessionárias ficam encarregadas da distribuição até os consumidores, da manutenção das redes locais e do esgotamento sanitário. Na prática, ocorrências na rede e problemas de abastecimento passam a ser demandas das concessionárias.
A Aqua Pernambuco assumirá a distribuição de água e coleta de esgoto do Litoral até parte do Sertão do estado. Já a Vita Sertão irá operar os serviços em 24 municípios do Sertão, incluindo Petrolina.
Atendimento ao consumidor
Com a mudança, a expectativa é ampliar os canais de atendimento e facilitar o acesso da população aos serviços. Segundo Nóbrega, a estrutura prevista pelas concessionárias deve passar de 145 pontos físicos, hoje vinculados à Compesa, para cerca de 350 unidades, além de canais digitais.
“Um dos objetivos é melhorar a prestação do serviço para a população. Estamos falando de ampliar a rede de atendimento, oferecer mais opções para que o consumidor possa resolver suas demandas e aproximar o serviço das pessoas. A ideia é que essa mudança seja percebida na prática, com mais facilidade para acessar os canais de atendimento e com investimentos que permitam melhorar o abastecimento e a coleta de esgoto”, afirmou.
Investimentos e universalização
A concessão integra a estratégia para alcançar as metas estabelecidas para 2033: atendimento de 99% da população com abastecimento de água e de 90% com coleta e tratamento de esgoto. De acordo com Nóbrega, a universalização exige investimentos de grande porte, que deverão reunir recursos públicos e privados.
“Qual é o grande objetivo da concessão? Melhorar o abastecimento de água e ampliar as redes de coleta de esgoto para a população. Estamos trazendo capital privado para trabalhar junto com a Compesa e o governo do estado, ampliando essa rede e acelerando os investimentos necessários. O desafio é fazer com que mais pessoas tenham acesso à água e ao saneamento, com um serviço cada vez melhor”, destacou.
Segundo o diretor-presidente, a estratégia envolve expandir as redes, substituir tubulações e aprimorar a operação dos sistemas, com atenção às áreas que ainda precisam avançar na oferta dos serviços.
Tarifa e reajuste
Nóbrega afirmou que a concessão não muda as regras de regulação nem o modo como a tarifa é reajustada. A diferença, segundo ele, está na periodicidade. A Compesa costumava solicitar o reajuste anualmente, mas, por algum motivo, chegou a passar dois anos sem pedir. É o que ocorre agora: o último reajuste foi em 2024, e um novo está autorizado, até o fim do ano.
O diretor-presidente rejeitou a ligação entre o reajuste e o calendário eleitoral. “Naturalmente se misturam as coisas. Vão dizer: ‘passou a eleição, reajustou’. Não, isso estava previsto. Faz dois anos que não tem reajuste”, declarou.
Nóbrega também fez questão de diferenciar aumento de correção. “Para ficar claro, não é aumento de tarifa, é correção pela inflação […] como ocorre com energia, IPTU, transporte público e gás”, afirmou.
Há ainda um efeito direto da concessão. O contrato do leilão previa que as concessionárias oferecessem um deságio sobre a tarifa do primeiro ano, e as duas vencedoras ofereceram o máximo permitido, de 5%. Com isso, o reajuste que vem pela frente será menor do que seria sem a concessão. “Esse reajuste vai ter um valor 5% menor do que teria sem a concessão. Isso é um benefício da concessão”, resumiu.
A reorganização também altera a estrutura de pessoal. Conforme Nóbrega, os empregados efetivos da Compesa serão realocados internamente, enquanto parte dos trabalhadores terceirizados já estão migrando para as empresas responsáveis pela operação nas áreas concedidas.
Douglas ainda reiterou que a população, caso tenha dúvidas, procure os contatos e redes sociais oficiais da Compesa para esclarecimento.